Born To Be Wild

Essa não tem nada com fotografia, muito menos com meu lado profissional.

Muito pelo contrário, super pessoal. Uma história que poucos sabem mas não me canso de contar sempre que me perguntam. É longo mas vale a pena!

Setembro/Outubro de 1996, recém completado meu dezoito anos. Com um sonho te der seu primeiro carro.

Um pouco na contra-mão das vontades eu queria ter um jipe.

Não seria um carro novo e muito menos da época, um "trator" já com alguns anos de idade pois como muitos sabem a fabricação do ultimo aconteceu em 1983.

Junto com meu pai passamos quase um mês atrás de um que estivesse em boas condições.

Me apaixonei de verdade quando achamos um 1969 amarelo e iamos fechar negócio, só faltava um simples test-drive. Saimos da classica feira de carros do Anhembi e eu já estava sonhando com ele. O proprietário então levou o carro para minha casa para que eu pudesse dirigir e finalmente testar.

Lembro que o cara era novo, no máximo uns 30 anos.

Capota abaixada, conversivel eo rádio tocando Born To Be Wild, esse foi minha primeira experiência a bordo de um lento e estiloso jipe.

Era ele! Tudo certo...

Meus pais já haviam negociado o valor, e uma rápida conversa durante os 5 minutos na porta de casa selava a venda. Era um domingo e no próximo dia tudo aconteceria.

Aqueles 5 minutos foram cruciais para ir tudo para a lama... Assim que o jipe amarelo partiu da porta da minha casa eu vi o que talvez não queria ter visto. Uma poça enorme de óleo se formou onde ele havia parado.

Não dava para comprá-lo. Vazava muito óleo e meu pai disse não, minha mãe idem. E mais, a 4x4 não funcionava!

Tinha acabado o sonho do born to be wild. Nem nasceu o selvagem....

Não me lembro quanto tempo passou, mas me parecia uma eternidade até que meu pai inventou um almoço no interior num final de semana. Puta chatisse.

Saimos numa manhã nublada, com garoa rumo ao dito almoço. Quando "chegamos" no Vale do Paraiba, interior de São Paulo paramos numa casa onde meu pai disse que teria que pegar uns documentos.

Realmente era... documentos do meu carro! Nossa... o jipe era novo. Parecia saido da loja, brilhava nos meus olhos mais que uma pedra precisosa. Pneus lameiros, um TRATOR de verdade, um Ford 1980, 4 cilindros, 4 marchas!

A aventura foi pegar uma Rodovia Dutra durante os quase 200km com pneus cravados. Roncava e cada vez que eramos ultrapassados por um caminhão sacudiamos como nunca tinha sentido. Durante umas garoas entrava agua por todos os lugares mas estava valendo!

Outubro 1996 - Durante uma das paradas na Dutra

Anos e anos se passaram e esse trator me levou para todos os lugares que quis chegar. Para o topo de uma montanha com as bicicletas penduradas, passando para as praias no litoral com as pranchas até a faculdade diariamente. Aprendi mecânica básica e todo o funcionamento por causa de todo o tempo que passava fazendo coisas nele.

O tempo passou até que o carro foi roubado de caminhão plataforma da porta do prédio onde eu morava. Pensei que havia sido rebocado pelo CET, mas não. O tempo que ele ficou parado na rua parecia seu descanso derradeiro. Era o fim do meu sonhado jipe. O poderoso motor 2.3 e sua caixa de câmbio 4x4 com reduzida, que subia paredes já estavam desmontados. Eu, pai fresco sonhava em levar o pequeno para andar de jipe sem capota com o som no último volume acabou naquele momento.

O tempo passou e todas as vezes que cruzei um jipe no trânsito de qualquer cidade do Brasil olhei firmemente para a placa ou marcas no carro que só eu reconheceria. Nada, em vão.

Passaram 8 anos e estava dentro de um avião com destino à Europa quando minha mãe me liga avisando que a polícia havia telefonado para avisar que o jipe tinha sido achado. Era mentira, não? Com certeza mais um golpista querendo alguma coisa.

Disse para minha mãe esquecer o assunto que assim que voltasse de viagem íamos atrás desse assunto. Mãe é mãe e a minha não sossega nunca. Foi atrás.... no pátio de recolhimento de veículos ela fez três fotos e me mandou por mensagem, que vi assim que o avião pousou na Alemanha.

Era ele.... com os mesmos adesivos que eu havia colocado, quase intacto, apenas com as marcas do tempo sob um senhor de idade. Os cincos dias na Europa demoraram um mês e eu voltei para buscar o que era meu! Pulando todas as canseiras que tomamos da burocracia de nosso país ele voltou pra mim.

Um mecânico conhecido fez pequenos reparos para colocar meu jipe na ativa. Eu já com o segundo filho sonhei novamente em levar os filhos para uma volta, nem que se fosse por uma única, que eles jamais esqueceriam. Consegui! Isso foi em Abril de 2014 e eu jamais esquecerei também.

Abril de 2014 com Brunno e Gabriel

Hoje o meu velhinho descansa na garagem de casa esperando a hora de voltar para a ativa, mas sem escapar das brincadeiras e chacotas de amigos. Valor? Não tem preço.... e enquanto dizem que só o Lata Velha do Luciano Huck pode salva-ló eu penso como será o novo Jeep 1980, vinte anos depois, em 2016 ou 2017!

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